SOCIEDADE DO STICKER
- ASA Produções

- 11 de abr. de 2018
- 2 min de leitura
Atualizado: 12 de abr. de 2018
"Uma febre teve início no Brasil nos últimos 5 anos, o sticker. Adesivos colados em semáforos, postes de iluminação, placas de sinalização, paredes e muros, se espalharam pelas ruas de São Paulo, tomando de assalto a paisagem urbana." (DIAS, 2007, p.12)
Existem várias formas de enxergar a rua Augusta e uma delas é por meio dos stickers.

Pequenas "figurinhas" coladas de forma não linear por diversas pessoas, que dão cor às paredes cinzas da cidade de São Paulo. Não há uma temática específica, são abordados temas relacionados à publicidade, skate, tatuagem, divulgação de trabalhos e até mesmo manifestações políticas reivindicando direitos.
As pessoas e artistas procuram a rua Augusta por conta da visibilidade - o fluxo de pessoas é intenso por ser uma rua movimentada 24h por dia. E justamente por conta disso, alguns stickeiros já são conhecidos por suas obras mesmo não havendo nenhuma relação com seus nomes. Rodrigo Chã, um dos principais stickeiros da cidade de São Paulo, é bastante conhecido por utilizar uma pomba e um círculo como assinatura para suas obras, criando assim um símbolo de identidade.
"Um sticker parece atrair o outro para compor contextos,
compor formas e esquemas de cores." (DIAS, 2007, p.133)

Os stickers se comunicam com a cidade através de sua estética. As cores são muito importantes no processo de criação de um sticker porque através delas o contraste com o ambiente se forma. "A cor é parte simples mais emotiva do processo visual. Ela tem uma grande força e seu uso é vital para expressar e reforçar a informação visual. (...)" (GOMES FILHO, 2003, p.48)

Conversamos com Rodrigo Rodrigues, tatuador do Rio Grande do Sul que veio a São Paulo para uma convenção de tatuagens e deixou em um semáforo um sticker de sua autoria como forma de divulgação de seu trabalho.
''A ideia era que alguém visse e talvez olhasse o Instagram embaixo do desenho e seguisse, o que chamou a minha atenção na Augusta é que todos que passam por lá deixam alguma marca, e eu resolvi deixar a minha'', disse Rodrigo.
Usar os stickers como ferramenta para a divulgação de trabalho também é uma das maneiras mais criativas e interessantes que hoje encontramos nesse meio, pois consegue-se despertar a curiosidade de quem os vê.
Podemos notar que dentro da cultura do sticker não há rótulos para designar o que deve ou não ser colado. Artistas, profissionais como o tatuador Rodrigo e pessoas que querem apenas colar um sticker são bem-vindas nas paredes, postes e placas da rua Augusta.

GOMES FILHO, João. Ergonomia do objeto: Sistema técnico de leitura ergonômica. 2ª Edição. São Paulo: Escrituras, 2003
DIAS, Thiago Hara. O Sticker e seu papel na arte de rua na cidade de São Paulo: Stickers da Rua Augusta, Avenida Paulista, Vila Madalena e Centro. 2007. 155 f.. Dissertação (Mestrado em Educação, Arte e História da Cultura) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo




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